Novelas

 

“Pé na Jaca”, a nova trama da Globo

 

“Arrumei uma novela bem difícil de escrever e dirigir. Tenho cinco personagens que são o ponto de partida da história, com vários protagonistas. É uma trama séria, mas vamos privilegiar o inusitado desta história. A comédia não é a situação em si, mas a forma como a gente conta essa história”, explica o autor Carlos Lombardi sobre a trama de “Pé na Jaca”, novela que substitui a bem sucedida “Cobras & Lagartos”.

“Recomeçar de onde parti”, esse é o lema - voluntário ou não - dos protagonistas da nova novela da Globo. Depois que a infância deixou recordações inesquecíveis e a vida parecia perfeita, a sorte surpreendeu e mudou de lado. Cinco crianças que passavam férias brincando na cidadezinha de Deus Me Livre cresceram, se desencontraram e acabaram por enfiar o pé na jaca com atitudes e sentimentos que os levaram ao fundo do poço. Para recomeçar, estão todos de volta ao ponto de partida, sem a inocência dos velhos tempos e longe da amizade que juraram um dia.

Arthur (Murilo Benício), que passava férias na fazenda do tio plantador de jacas; Elizabeth (Deborah Secco), a filha da costureira; Guinevere (Juliana Paes), a filha de uma empregada; Maria (Fernanda Lima), a filha do dono da fazenda; e Lancelotti (Marcos Pasquim), o filho de um dos colonos da fazenda, encontraram-se por acaso na beira de um rio no interior de São Paulo, em Deus Me Livre, cidadezinha perto de Piracicaba. Brincaram sem perceber as diferenças sociais que os separavam e tinham a certeza de que aquela amizade duraria para sempre. Mas as férias acabaram e, exceto por dois deles, nunca mais se viram e esqueceram completamente um dos outros. Vinte e cinco anos se passaram até que o destino os colocou novamente no mesmo caminho.

A fictícia cidade de Deus Me Livre tem sua principal força econômica na fazenda que abastece a cervejaria Polaca - ambas pertencentes à família Botelho Bulhões. A cidade abriga as famílias dos protagonistas da trama.

O trabalho da equipe de caracterização de “Pé na Jaca”, comandada por Alê de Souza, começou a mudança no visual do elenco a partir dos cabelos: Juliana Paes, Deborah Secco e Flavia Alessandra ganharam tons mais escuros; Fernanda Lima se submeteu a um processo de luzes californianas e está com os fios mais loiros e a raiz escura, no tom natural da atriz; e Betty Lago, como pede a história de sua personagem Morgana, ganhou uma mecha branca em meio a cabelos bem escuros. Alguns atores também modifi-caram o visual, como Marcos Pasquim, que alongou o cabelo para viver o personal trainer Lance, e Bruno Garcia, que cortou o cabelo bem curto para viver o competitivo Juan. “Seu look foi inspirado no estilista Tom Ford”, explica Alê de Souza.

Para Drica Moraes, a inspiração foi Audrey Hepburn, seguindo a mesma linha usada no figurino. Já Fernanda Lima, que vive uma super-model, a inspiração foi Kate Moss: “Ela é um símbolo de elegância. Tem sempre um olho escuro, forte, mais marcado. Isso propor-cionou um contraponto com a Fernanda Lima, que é mais natural”.

Flavia Alessandra, cuja personagem adora freqüentar salões de beleza e cuidar de sua aparência, ganhou uma maquiagem mais artificial. E claro Deborah Secco tem que aparecer de cara limpa, despida de vaidade, afinal é uma noviça que não se preocupa com a aparência. E o núcleo que vive no interior de São Paulo, que está em Deus Me Livre, também ganhou um ar bem natural.

Com um acervo que já soma aproximadamente 800 peças de roupa para mais de 40 perso-nagens e muitas participações especiais, há muito trabalho para a equipe de figurino comandada por Marie Salles: “Ainda estamos montando os novos nomes que estão chegando e sabemos que teremos outros ao longo da novela”. Para montar o guarda-roupa de “Pé na Jaca”, ela conta com uma equipe de oito pessoas que começou a trabalhar nas pesquisas para a produção no início de agosto

Para a cidade cenográfica de Deus Me Livre foram construídos 2.500 m2 de cenário. Cento e cinqüenta homens trabalharam em dois turnos para construir a cidade que é ponto de partida e de recomeço da trama de Carlos Lombardi. “Pesquisamos no interior paulista, em Piracicaba, andamos por cidades próximas. Fomos à prefeitura para saber o tamanho dos lotes que se vendem nessas cidades para termos uma noção do tamanho. Nós tínhamos várias demandas na sinopse, como o ferro-velho, o drive-in, a quadra de esportes e tudo isso têm uma dimensão mínima que precisa ser respeitada. O drive-in, por exemplo, ficava numa ladeira que não tínhamos aqui e, então, inventamos uma. Partimos de um ponto alto, com um barranco atrás, e fizemos a ladeira. A nossa cidade foi desenhada; nossa topografia foi especialmente desenvolvida para ‘Pé na Jaca’”, conta May Cordeiro, cenógrafa responsável pela novela.

  

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